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Quais foram as lições de Maquiavel?

Atualizado: Fev 13


As lições de liderança deixadas por Maquiavel ao Príncipe são valiosas.

Tente avaliar sua conduta profissional em seu ambiente de trabalho pela ótica de Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe (1513), um dos livros mais famosos do mundo sobre política, com contribuições importantes na área de liderança.

A obra foi escrita em 1513 aos 44 anos de Maquiavel (1469-1527) no momento em que ele é preso e torturado sob suspeita de conspirar contra os Médici, mas solto, após sua inocência ser reconhecida.

O "opúsculo" (pequeno livro, de poucas páginas), entregue ao governante de Florença Lourenço II de Médici, apresenta lições resultantes de sua experiência real sobre política e sobre o conhecimento profundo da natureza humana. Mesmo escrito a mais de cinco séculos, o texto permanece atual.

Reflita sobre alguns trechos:

Sobre domínios conquistados com boa-sorte: Aqueles que se tornam príncipes exclusivamente pela sorte [...] não encontram dificuldade para alcançar seu objetivo, mas todas dificuldades aparecem quando lá chegam [...] essas pessoas não sabem e não podem manter-se no poder, [...] não sabem comandar, já que viveram sempre como cidadãos comuns e não dispõem de forças subordinadas por laços de amizade e fidelidade. [...] não podem ter raízes sólidas, profundas e ramificadas, de modo que a primeira tempestade os derruba. [...] Homens cometem injúrias movidas pelo ódio ou pelo medo. [...] Comete um grande erro quem pensa que entre as altas personalidades seja possível fazer esquecer antigas ofensas com novos benefícios

Sobre o governo civil: O governo é instituído pelo povo ou pela aristocracia, conforme haja oportunidade para um ou para outra. Quando os ricos percebem que não podem resistir à pressão da massa, unem-se, prestigiando um dos seus e fazendo-o príncipe [...]. O povo, por outro lado, quando não pode resistir aos ricos, procura exaltar e criar um príncipe dentre os seus. Quem chega ao poder com ajuda dos ricos tem maior dificuldade em manter-se no governo do que quem é apoiado pelo povo, pois está rodeado de indivíduos que a ele se igualam, e não pode assim dirigi-lo ou ordenar tudo o que lhe apraz. O príncipe [...] deve esperar dos nobres a oposição ativa. Como eles são mais astutos, agem sempre oportunamente para salvar-se e em qualquer disputa ficam do lado de quem presumem seja o vencedor.

Sobre tropas mercenárias e forças auxiliares: Os que entregam a sua proteção aos mercenários são despojados na guerra e na paz por eles próprios. O motivo único e a afeição que os faz lutar é um salário modesto, que não é suficiente para fazê-los morrer pelo soberano. Por isso estão dispostos a servir o príncipe como soldados em tempos de paz; iniciada a guerra, o abandonam. A experiência demonstra [...] que forças mercenárias só sabem causar danos. Um príncipe prudente [...] recorrerá sempre aos seus próprios soldados. Preferirá ser derrotado com suas próprias tropas a vencer com tropas alheias vitórias que não se pode considerar genuína. [...] Nenhum príncipe pode ter segurança sem seu próprio exército, pois sem ele, dependerá inteiramente da sorte, sem meios confiáveis de defesa, quando surgirem dificuldades. Os sábios sempre souberam: "nada é tão fraco e instável quanto a fama de uma potência que não se apoia na própria força".

Sobre os deveres: Os príncipes não deveriam ter outro objetivo ou pensamento além da guerra, a organização e a disciplina das tropas, nem estudar qualquer outro assunto, pois esta é a única arte que se espera de quem comanda. [...] Nunca devem permitir, portanto, que seus pensamentos se afastem dos exercícios bélicos; exercícios que devem praticar na paz mais ainda que na guerra, de duas formas: pela ação física e pelo estudo. [...] Afim de exercitar o espírito, o príncipe deve estudar a história e a ação dos grandes homens, [...] examinar as razões de suas vitórias e derrotas para imitar as primeiras e evitar as últimas. [...] e nunca deve permanecer ocioso em tempos de paz, mas capitalizando experiência de modo que qualquer mudança de sorte o encontre sempre preparado para resistir aos golpes da adversidade, impondo-se a ela.

Sobre o motivo de príncipes serem louvados: Quem quiser praticar sempre a bondade em tudo que faz está fadado a sofrer, entre tantos que não são bons. É necessário que o príncipe que deseja manter-se aprenda a agir sem bondade, faculdade que usará ou não, em cada caso, conforme seja necessário. [...] A falta de liberalidade é um desses defeitos que lhe permitem reinar. [...] Devemos distinguir, no entanto, entre aquele que já é príncipe e o que está a caminho de sê-lo. Na primeira hipótese, a liberalidade é prejudicial; na segunda, é necessário.

Se é preferível ser amado ou temido: O príncipe não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. [...] Será preciso, contudo, ser cauteloso com aquilo que fizer, e no que acreditar, é necessário que não tenha medo [...] e que haja com equilíbrio, prudência e humanidade. [...] Seria desejável se ao mesmo tempo amado e temido, mas como tal combinação é difícil, é muito mais seguro ser temido, se for preciso optar. De fato, pode-se dizer dos homens de modo geral, que são ingratos, volúveis, dissimulados, procuram se esquivar dos perigos e são gananciosos [...]. Estará perdido o príncipe que tiver confiado inteiramente em suas palavras, sem tomar cautelas, porque amizade conquistada pelo dinheiro, e não pela grandeza de nobreza de espírito, não é segura [...]. Os homens tem menos escrúpulos em ofender quem se faz amar do que quem se faz temer. O príncipe [...] mesmo que não ganhe o amor dos súditos, pelo menos evita seu ódio.

Sobre a conduta e como evitar o ódio: [...] Pode-se lutar de duas maneiras: pela lei e pela força. O primeiro método é próprio dos homens; o segundo, dos animais. Porém, como o primeiro pode ser insuficiente, convém recorrer ao segundo. [...] O príncipe deve valer-se das qualidades da raposa, para reconhecer as armadilhas, e do leão, para afugentar os lobos. [...] Assim, é bom ser e parecer misericordioso, leal, humano, sincero e religioso; mas é preciso ter a capacidade de se converter aos atributos opostos, em caso de necessidade. [...] O príncipe deve evitar desviar-se do bem, se for possível, mas deve guardar a capacidade de praticar o mal, se forçado pela necessidade. Na conduta dos príncipes [...] os fins justificam os meios. O que mais contribuirá para fazê-lo odiado será o roubo, a usurpação dos bens ou das mulheres dos súditos. [...] Os príncipes devem delegar para outras pessoas as tarefas como julgamentos, e conceder favores, pessoalmente, estimando os grandes e evitando o ódio do povo.

Sobre como deve agir: [...] Nada faz que um príncipe seja mais estimado do que os grandes empreendimentos e os altos exemplos que dá. [...] É também muito estimado o príncipe que age como verdadeiro amigo ou inimigo declarado; isto é, que se declara sem reserva em favor de uns e contra outros. [...] política, é sempre mais útil do que a neutralidade. [...] Príncipes inseguros preferem geralmente permanecer neutros, pensando evitar perigos presentes, o que o mais das vezes os arruína. [...] Os príncipes devem demonstrar também apreço pelas virtudes, dar oportunidades aos mais capazes e honrar os excelentes em cada arte. [...] Devem incentivar os cidadãos a praticar pacificamente sua atividade - no comércio, na agricultura ou em qualquer outro ramo profissional, [...] instruir prêmios para quem é ativo, [...] entretendo o povo com festas e espetáculos, [...] melhorando sua cidade ou Estado.

Sobre os ministros: [...] A primeira impressão de um governante e da sua inteligência, é dada pelos homens que o cercam. Quando estes são eficientes e fiéis, pode-se considerar o príncipe sábio, [...]

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Fonte:

Maquiavel, N. O príncipe. E-Books-Brasil, 2010.

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